Humanidade amo-te



Humanidade amo-te
porque preferirias enegrecer as botas do
sucesso do que inquirir que alma oscila do teu
relógio de corrente o que seria embaraçoso para
ambas 

as partes e porque aplaudes
sem vacilar todas as
canções contendo as palavras país casa e
mãe quando cantadas no velho howard 

Humanidade amo-te porque
quando estás em crise penhoras a tua 
inteligência para comprar uma bebida e 
quando coras o orgulho mantém-te 

afastada da loja de penhores e
porque provocas continuamente
incómodos, ainda mais
especialmente em tua própria casa 

Humanidade amo-te porque estás
perpetuamente a guardar o segredo da
vida em tuas calças e a esquecer
que ali está e sentas-te sobre 

ele
e porque estás
a escrever sempre poemas no colo 
da morte da Humanidade 

odeio-te




LA GUERRE, I, Tulips & Chimneys (1922 Manuscript), TULIPS 
E. E. Cummings Complete Poems 1904 -1962
Edição de George J. Firmage, 1991.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa